Arquivo da categoria ‘Trabalhos da Faculdade’

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Isso é perseguição

3 03UTC Abril 03UTC 2009

Primeiro, a professora chega na sala já reclamando de mim. Dizendo meu nome, claro, porque ela fez questão de grava-lo no primeiro dia de aula. Depois, a outra professora reclama que somos infantis e precisamos ter limites. Tudo por depoimento do Orkut, coisa moderna. Mas pensei: não vou achar que estou sendo perseguido só por causa disso, né.

Tanto é que não pensei duas vezes em ir pra faculdade hoje, uma sexta-feira, as 7 da manhã, assistir aulas mesmo enjoado e mau humorado. Porque, oi, eu sou desses que não vou morrer em casa.

Só que tinha um problema: eu estava morrendo de sono. E sonolento fico impaciente para aulas. Não consigo prestar atenção, então o que eu faço? Converso, pra ficar acordado. Afinal, dormir na aula de Estética seria a última coisa que eu faria. A professora entendeu o meu ato de consideração? Não, claro que não. Reclamou o tempo todo que eu e meus amigos estávamos conversando.

A mulher fez a maluca, gente. Atrapalhou a aula horrores reclamando da gente, porque ela é dessas que não respeitam ninguém. Fico de cara. Mas eu não liguei. Afinal, tenho pena das mal comidas. Resolvemos fazer o sorteio nosso amigo oculto de Páscoa enquanto ela ficava de blablabla lá na frente.

Foi aí que a professora perdeu a linha, encerrou a aula e disse que quem quisesse ir embora, podia. Eu não queria, então nem me liguei. E ela num ato totalmente baixo nível lançou:

- Galerinha (olhando nos meus olhos), beijo, tchau!

Suja, né? E minha amiga, concentrada no nosso sorteio, grita bem alto:

- Me tireeeeeeei!

Ok, hora de ir embora. Somos perseguidos.

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Finalmente, ela errou

11 11UTC Fevereiro 11UTC 2009

A gente se casou muito cedo. Eu tinha 19 e ela 18 anos. Ambos recém saídos da escola, imaturos, apaixonados, com muitos sonhos. Ela engravidou e achamos que essa era a melhor decisão para nós. Na verdade, fomos muito influenciados pelos nossos pais querendo seguir as tradições.
O pai dela nos deu de presente de casamento um apartamento e assim nossa nova vida começou. Eu, Inês e nosso filho, Bernardinho. No início, brigávamos muito. Não tínhamos preparo nenhum para estarmos encarando a responsabilidade de cuidar de um bebê, de um apartamento, de cuidar de nós mesmos. O que nos mantinha juntos era mesmo o amor. A gente brigava e logo fazia as pazes. Não vivi até hoje paixão tão intensa quanto aquela. Aprendemos juntos como ser pai e mãe, independentes, adultos, como que é viver em casal. Amadurecemos na marra.
Inês era uma mulher e uma mãe excepcional. Sempre preocupada com os homens da casa e fazendo de tudo para nos agradar. Em 6 anos de casamento, nunca tive motivos para me queixar. Eu chegava do trabalho cansado e ela sempre estava me esperando, com jantar à mesa e toda atenção. Conversávamos muito, por horas, e sempre terminávamos fazendo amor. De manhã, ela não precisava, mas acordava todo dia para dar um beijo na gente antes que eu deixasse Bernardinho na escola e seguisse pro meu trabalho.
Nos finais de semana, fazíamos programas de família: cinema, pique-nique no parque, teatro, coisas mais direcionadas ao nosso filho. As sextas-feiras, Bernardinho dormia na casa dos avós e tínhamos um tempo para o casal. Éramos uma família feliz. Funcionávamos muito bem. Eu amava Inês mais do que qualquer coisa.
Até que um dia, cheguei em casa vindo do trabalho, meu filho tava dormindo no quarto e Inês me esperava na cozinha, como de costume. A cumprimentei com um beijo e fui tomar banho. Quando saí do banheiro e fui pra cozinha jantar, Inês disse que precisávamos conversar. Estranhei o tom sério da voz dela.
- Edu, eu te traí.
Demorei a processar as palavras dela na minha mente. Inês me traindo era algo que não passava pela minha cabeça. Eu confiava tanto nela. Como é que ela pôde fazer isso comigo? Do que ela estava falando?
Logo, ela começou a me contar como aquilo tinha acontecido. Foi naquela manhã mesmo, enquanto Bernardinho estava na escola. O entregador de água foi lá “e rolou” – foram essas as palavras dela. Ela estava arrependida e dizia que essa fora a única vez que isso havia acontecido e que nunca mais iria repetir isso.
Me exaltei. Taquei o prato de comida na parede e nosso filho acordou. Ela gritou pro Bernardinho voltar pro quarto. Eu nunca tinha a visto gritando. Inês fora sempre tão tranqüila. No mesmo tom, gritei que nosso casamento acabava ali, que eu não queria mais saber dela.
Inês, dominando a situação, pegou as minhas mãos com carinho, parecia compreensiva, e fez eu me sentar de novo, enquanto falava para conversamos mais baixo, para Bernardinho não ouvir. Não devíamos magoar os sentimentos dele, ela dizia. Por que que com os meus sentimentos ela não se importou?
Ela voltou pra história. Disse que foi um caso a toa, que não significou nada para ela, que ela nunca mais veria aquele homem, que ela desconhecia o nome. Me pediu desculpas.
- Não considero nem infidelidade, Edu. Eu pensei em você o tempo todo. Você estava na minha cabeça. Eu estava carente, desculpa.
Eu não queria saber o que ela tinha pra me dizer. Naquela mesma noite, saí de casa, com a roupa do corpo. Fui dormir nos meus pais. Eu estava com nojo dela. Pra mim, era como se todos aqueles anos juntos tivessem sido uma mentira. Meu orgulho estava ferido.
Divorciamos-nos. Desde então, só converso com ela sobre nosso filho. É verdade que ela já tentou retomar o assunto algumas vezes, mas eu não deixei. Por ela, nós nunca teríamos nos separado. Óbvio, não foi ela que levou um par de chifres de brinde.
A parte ruim disso tudo é que agora só vejo o Bernardinho aos fins de semana. Tento ao máximo ser um pai presente, mas não é a mesma coisa que estar vivendo junto. Ele já está com 8 anos. Um garotão. A gente conversa muito. Hoje mesmo, ele estava me contando que brigou com um coleguinha na escola. Essas bobeiras de criança, sabe? Mas ele ficou muito irritado. Falou que nunca mais vai falar com o amiguinho. Ele é muito parecido comigo e, em alguns aspectos, seria melhor que ele se parecesse com Inês. Perguntei pra ele se o tal menino já havia sacaneado ele antes. Ele me disse que não.
- Bernardinho, se ele te pediu desculpa, você deve desculpar. Todo mundo tem direito a uma segunda chance.
- Então, papai, porque você não deu uma segunda chance para a mamãe?

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Se foi pra terminar, por que que começou? Tinha de ser pra sempre

26 26UTC Novembro 26UTC 2008

Minha cabeça tá uma loucura ultimamente. Tenho tido conversas sinceras e esclarecedoras com várias pessoas. E é assim que eu acho que deve ser. As vezes eu não sei até que ponto sei dividir a sinceridade com a impulsão inconsequente. Eu meço muito as palavras, mas ultimamente não tem sido assim. Tenho falado, depois pensado. É como se qualquer pudesse ter acesso aos meus pensamentos. Momento delicado. Mas tenho sido assim numas de não querer complicar as coisas. Analiso muito qualquer bobagem e isso torna as coisas mais importantes do que elas realmente são.

Bem, essa é a semana da entrega dos trabalhos. Aqueles projetos que me alugaram tanto até semana passada. Gravações e mais gravações. Não que eu não tenha gostado, pelo contrário, é justamente disso que gosto e fico feliz da faculdade valorizar bastante o lado audiovisual. Mas estavam ocupando totalmente meu tempo.

Eu e Amanda e, do lado, eu e Thatiana, no Show da Virada

Da esq. pra dir.: Eu e Amanda e, do lado, eu e Thatiana, no Show da Virada

Na verdade, estou vivendo momentos muito felizes. Embora não possa falar sobre eles ainda, o que importa é isso. A maré está pro meu lado, finalmente. Não sei até quando. Não costuma durar muito, né? “Alegria de pobre dura pouco”, já dizia o ditado. Mas estou aproveitando enquanto posso.

Ontem, Amanda me chamou pro Show da Virada. Chamei a Thati. E fomos todos, mais a Nercy. Entre as apresentações trashs típicas do evento – como Alcione vestida de globo de discoteca, Alexandre Pires cantando hits 90s e Bruno e Marrone cantando provavelmente o novo single – houve muita coisa boa. Paralamas e Titãs me emocionaram em uma música. Aliás, muitas das músicas que ouvi lá estavam dizendo muito do meu atual estado, mas é óbvio que eu não lembro de nenhuma delas. Tinham algumas também falando claramente do meu estado passado, o que me deixou até de boca aberta em alguns momentos.

Enfim, eu deveria estar estudando para as provas de semana que vem, mas parece que há tanta coisa mais interessante pra fazer agora.

Beijos pra quem lê!

P.S: http://www.fiztv.com.br/f/v/18947 (desculpem o áudio podre e as imagens podres, diminuí a qualidade pra colocar aí)