Estava eu no Via Parque, aqui no Rio de Janeiro, e me deparei com uma aglomeração em certa parte do shopping. Na verdade, eu já tinha reparado que a garagem estava lotada, o que é atípico. Lá dentro, constatei o motivo: a Casa de Vidro, com os quatro candidatos a participantes do Big Brother Brasil, que está em sua nona edição.
São 2 homens e 2 mulheres que estão vivendo por uma semana trancafiados num cômodo de vidro, dentro de um shopping. Lá, as pessoas “os assistem”, fazem gracinhas, ganham acenos e beijinhos ao vento e escolhem quem querem ver no BBB, votando digitalmente.
Trata-se de seres humanos em exposição. Se me contassem, eu não ia acreditar. Só vendo para entender a gravidade da situação. Os quatro aspirantes a um milhão não deixam nada a dever aos animais de um zoológico. A idéia é a mesma. E as pessoas ficam assistindo-os totalmente fascinadas a não fazer absolutamente nada.
É assustador ver ao ponto que a sociedade chegou. Creio eu que isso seja um fato inédito, para o qual fomos sendo encaminhados. Um fato histórico: humanos em exposição. E todo mundo, sedento por entretenimento, acha tudo muito normal. Fiquei horrorizado mesmo. Deu até uma certa vontade de chorar com pena dos exibicionistas, e dos voyeurs. Mas a verdade é que os quatro estavam felizes de estar ali – e toda a aglomeração (que não diminuía) queria estar no lugar deles. Medo.
Diante disso, é balela o discurso de que Show de Truman é a história dos realities shows levada ao extremo. Levar ao extremo é essa Casa de Vidro, com os caras expostos, pulando de um lado pro outro que nem macacos, interagindo com o público hipnotizado. Na verdade, é a mesma idéia do programa da Tv – só que ali, ao vivo, escracha e assusta.
Quando olhei ao relógio de novo, já fazia uma hora que eu tava ali, chocado, mas ali, sem arredar o pé. Estava que nem todos, assistindo a absolutamente nada, analisando absolutamente tudo – tentando entender o que fascinava a todo mundo, ao mesmo tempo que já estava fascinado. “Olha ela ali falando isso, olha ele ali levantando a camisa! Ih, fulaninho deitou! Fulaninha não pára de comer!”. Oh, céus. Era hora de ir embora, já estava contaminado demais.
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