Arquivo da categoria ‘Televisão’

h1

BBB9: A Casa de Vidro

16 16UTC Janeiro 16UTC 2009

Estava eu no Via Parque, aqui no Rio de Janeiro, e me deparei com uma aglomeração em certa parte do shopping. Na verdade, eu já tinha reparado que a garagem estava lotada, o que é atípico. Lá dentro, constatei o motivo: a Casa de Vidro, com os quatro candidatos a participantes do Big Brother Brasil, que está em sua nona edição.

São 2 homens e 2 mulheres que estão vivendo por uma semana trancafiados num cômodo de vidro, dentro de um shopping. Lá, as pessoas “os assistem”, fazem gracinhas, ganham acenos e beijinhos ao vento e escolhem quem querem ver no BBB, votando digitalmente.
Trata-se de seres humanos em exposição. Se me contassem, eu não ia acreditar. Só vendo para entender a gravidade da situação. Os quatro aspirantes a um milhão não deixam nada a dever aos animais de um zoológico. A idéia é a mesma. E as pessoas ficam assistindo-os totalmente fascinadas a não fazer absolutamente nada.

É assustador ver ao ponto que a sociedade chegou. Creio eu que isso seja um fato inédito, para o qual fomos sendo encaminhados. Um fato histórico: humanos em exposição. E todo mundo, sedento por entretenimento, acha tudo muito normal. Fiquei horrorizado mesmo. Deu até uma certa vontade de chorar com pena dos exibicionistas, e dos voyeurs. Mas a verdade é que os quatro estavam felizes de estar ali – e toda a aglomeração (que não diminuía) queria estar no lugar deles. Medo.

Diante disso, é balela o discurso de que Show de Truman é a história dos realities shows levada ao extremo. Levar ao extremo é essa Casa de Vidro, com os caras expostos, pulando de um lado pro outro que nem macacos, interagindo com o público hipnotizado. Na verdade, é a mesma idéia do programa da Tv – só que ali, ao vivo, escracha e assusta.

Quando olhei ao relógio de novo, já fazia uma hora que eu tava ali, chocado, mas ali, sem arredar o pé. Estava que nem todos, assistindo a absolutamente nada, analisando absolutamente tudo – tentando entender o que fascinava a todo mundo, ao mesmo tempo que já estava fascinado. “Olha ela ali falando isso, olha ele ali levantando a camisa! Ih, fulaninho deitou! Fulaninha não pára de comer!”. Oh, céus. Era hora de ir embora, já estava contaminado demais.

Para ver mais fotos: http://www.flickr.com/photos/leonardotorres

h1

Fake Brazilian Grammy Latino 2008

14 14UTC Novembro 14UTC 2008

“ESTADÃO – A Band trouxe o Grammy Latino para o Brasil este ano. Pela primeira vez, a cerimônia de premiação foi comemorada em outro lugar além de Houston, no Texas, ainda que a premiação principal também estivesse acontecendo lá. O desafio agora é realmente realizar uma festa da magnitude de sua irmã americana, já que premiação brasileira não refletiu, nem de perto, as características da ’sede’.”

Daniella Cicarelli e Marcelo Tas, os mestres de cerimônia

Daniella Cicarelli e Marcelo Tas, os mestres de cerimônia

Quem esperava assistir à apresentação de Houston, se decepcionou. Quem esperava ver uma interação entre a cerimônia americana com a cerimônia paulista, também se decepcionou. Nada disso aconteceu. Aconteceu foi a transmissão de um evento brasileiro mal preparado e totalmente desorganizado, com algumas imagens da premiação oficial. E quando digo algumas, quero dizer bem poucas: uma apresentação musical ou outra e transmissão apenas das categorias em que brasileiros concorriam, como Diogo Nogueira e Roberta Sá, que não levaram nada.

Foi uma vergonha do início ao fim. Daniella Cicarelli e Marcelo Tas não deram conta do recado e não seguraram a apresentação do evento. Ela estava robótica, nitidamente ouvindo o texto no ponto eletrônico. Ele não terminava uma frase sem errar as mensagens ou gaguejar. Sem contar que foram colocados em situações constrangedoras diversas vezes, onde realmente não havia nada a ser feito por parte deles a não ser sentar e chorar. Cicarelli ficou tensa e riu.

Os apresentadores das categorias também tiveram problemas. Logo no início, anunciou-se Beth Carvalho como vencedora no microfone e no telão aparecia Paulinho da Viola como vencedor. Causou confusão. Houve também abertura de envelope errado, revelando vencedor da categoria seguinte, entre outros climões. Os vencedores não subiam ao palco, não recebiam troféu e muito menos faziam discurso. O que acontecia era a apresentação de uma minibiografia deles por parte do apresentador da categoria, lendo o telepronto.

Chitãozinho e Xororó cantaram música própria e levantaram a platéia do Grammy Latino do Ibirapuera, em São Paulo

Chitãozinho e Xororó cantaram música própria e levantaram a platéia do Grammy Latino do Ibirapuera, em São Paulo

As apresentações musicais do Texas não vimos – só Juanes e Julieta Venegas. As do Brasil foram bem peculiares. Teve Sepultura cantando Garota de Ipanema e Sandy – com Paula Toller, embora não se notasse – cantando E o Mundo Não se Acabou, de Carmem Miranda. Pitty cantou e foi uma das primeira vezes que a vi sem desafinar. Marina de la Riva, mulher do diretor de eventos da Band, também garantiu seu espaço e cantou na festa. Chitãozinho e Xororó cantaram música própria, Brincar de Ser Feliz, e foi o único momento em que a platéia se envolveu e cantou em alto e bom som.

Enfim, é o que um amigo meu me disse: se não tem capacidade de fazer o Grammy Latino, faça o Prêmio Band de Música. Já seria vergonhoso o suficiente.

h1

SBT: O golpe da Casa dos Artistas!

14 14UTC Outubro 14UTC 2008

Quando eu era criança, minha emissora preferida era o SBT. Era lá que estavam aquelas novelas melodramáticas, os melhores desenhos animados, a Eliana, a Hebe, o Gugu e o Silvio Santos destruibuindo dinheiro. E, no auge da minha inocência infantil, eu adorava isso tudo.

Cresci e vi que SBT com nada está. A cada ano que passa, nós temos mais provas de como o que impera nessa emissora paulista é a falta de respeito e o descaso geral. Isso vale tanto para os funcionários quanto para os telespectadores.

Os funcionários se pegam de surpresa na geladeira. Vão gravar e descobrem que o programa não está mais no ar. Ou gravam pra um dia entrar no ar (como está acontecendo com uma novela por lá). Ou, ainda, são informados que o programa mudou de horário e/ou formato, sem serem consultados. Adriane Galisteu é o maior exemplo disso. Passou anos no ar atendendo telefone – dia de tarde, dia de madrugada (ao vivo), dia fora do ar. Tenho muita pena dela.

Com os telespectadores, não é diferente. Essa falta de organização com a grade de programação não é de hoje. O programa que foi ao ar nessa segunda, na semana que vem pode estar indo ao ar na terça, sem nenhum aviso. Novelas são cortadas, encurtadas, retiradas do ar. Os atrasos são clássicos. Acrescente de meia à uma hora ao horário que eles divulgarem: se tá programado pras 7, ligue a Tv de 7h30 em diante com disposição pra esperar.

Mais um exemplo disso aconteceu hoje. Semana passada, a emissora colocou no ar comerciais com Claudete Troiano e Ellen Jabour, do Olha Você, na frente da casa utilizada para a Casa dos Artistas dizendo “vai começar tudo de novo“. Pra não que não restassem dúvidas, no canto da tela havia a logomarca do reality show e ao fundo, a música do programa. Estréia prevista pra hoje, as 17h.

Pergunta se estreou. O tal do Olha Você colocou no ar uma reprise dos melhores momentos da primeira edição do reality (aquela com Alexandre Frota, Bárbara Paz e Supla), como se isso fosse tudo que o telespectador estava querendo. Digo mais: como se fosse isso que o telespectador estava esperando. Ainda rolava na tela EXCLUSIVO escrito, pra despertar minha risada. O resto da semana farão o mesmo, já avisaram.

Que Silvio Santos é adepto das reprises e remakes todo mundo sabe. Agora, reprise de reality show poderia até ser algo inovador – se a emissora avisasse isso desde o início e não criasse falsas expectativas no público. Achei podre.

Casa dos Artistas eu vejo no Youtube. Sempre que quiser.

Fica aí a dica, galera.