Primeiro, a professora chega na sala já reclamando de mim. Dizendo meu nome, claro, porque ela fez questão de grava-lo no primeiro dia de aula. Depois, a outra professora reclama que somos infantis e precisamos ter limites. Tudo por depoimento do Orkut, coisa moderna. Mas pensei: não vou achar que estou sendo perseguido só por causa disso, né.
Tanto é que não pensei duas vezes em ir pra faculdade hoje, uma sexta-feira, as 7 da manhã, assistir aulas mesmo enjoado e mau humorado. Porque, oi, eu sou desses que não vou morrer em casa.
Só que tinha um problema: eu estava morrendo de sono. E sonolento fico impaciente para aulas. Não consigo prestar atenção, então o que eu faço? Converso, pra ficar acordado. Afinal, dormir na aula de Estética seria a última coisa que eu faria. A professora entendeu o meu ato de consideração? Não, claro que não. Reclamou o tempo todo que eu e meus amigos estávamos conversando.
A mulher fez a maluca, gente. Atrapalhou a aula horrores reclamando da gente, porque ela é dessas que não respeitam ninguém. Fico de cara. Mas eu não liguei. Afinal, tenho pena das mal comidas. Resolvemos fazer o sorteio nosso amigo oculto de Páscoa enquanto ela ficava de blablabla lá na frente.
Foi aí que a professora perdeu a linha, encerrou a aula e disse que quem quisesse ir embora, podia. Eu não queria, então nem me liguei. E ela num ato totalmente baixo nível lançou:
- Galerinha (olhando nos meus olhos), beijo, tchau!
Suja, né? E minha amiga, concentrada no nosso sorteio, grita bem alto:
- Me tireeeeeeei!
Ok, hora de ir embora. Somos perseguidos.



