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Olha só o que eu guardo aqui.

22 22UTC Janeiro 22UTC 2009

É interessante como pequenas coisas fazem nossa memória trabalhar. Hoje, na hora do almoço, a comida me lembrou uma cena de quando eu devia ter uns cinco, seis anos.

Estava na casa da minha outra avó. A família do meu pai estava reunida na sala. Era dia de festejo, não lembro exatamente de quê. Eu estava sentado na mesa de jantar antes que tivessem colocado a comida à mesa.

Quando minha avó trouxe o suflê de bacalhau para a mesa, os olhos estavam todos pra cima de mim, como que esperando uma reação. Claro que eu só percebo isso hoje. Eu, de fato, nunca tinha visto esse prato, mas comecei a comer. Eu era bom de garfo.

Por anos, a minha madrasta comentou esse episódio. Dizia como ficou impressionada de eu nem perguntar do que se tratava o prato, como qualquer criança faria, blábláblá. Boa moça – meu pai escolheu bem, sempre gostei dela. Namoradas do papai sempre querem agradar o filhinho, de qualquer forma.

Hoje, essa avó aí já morreu. Ela era meio fechadona, não era de mostrar sentimentos. Carrancuda, mas educada. Gorda que só ela. Era metida a cozinheira e gostava de dar esses almoços pra família. Bem, parecia que gostava, pelo menos. Tinha uma paixão pelo meu pai, ela. Embora eu não fosse muito ligado àquela família (hoje sou nada ligado), no dia do enterro dela, eu era o único neto presente. As pessoas se preocupavam comigo, perguntavam se eu estava bem. Com certeza eu estava melhor do que qualquer um deles, coitados.

Enfim, me vieram na cabeça essas lembranças.

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