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Fake Brazilian Grammy Latino 2008

14 14UTC Novembro 14UTC 2008

“ESTADÃO – A Band trouxe o Grammy Latino para o Brasil este ano. Pela primeira vez, a cerimônia de premiação foi comemorada em outro lugar além de Houston, no Texas, ainda que a premiação principal também estivesse acontecendo lá. O desafio agora é realmente realizar uma festa da magnitude de sua irmã americana, já que premiação brasileira não refletiu, nem de perto, as características da ’sede’.”

Daniella Cicarelli e Marcelo Tas, os mestres de cerimônia

Daniella Cicarelli e Marcelo Tas, os mestres de cerimônia

Quem esperava assistir à apresentação de Houston, se decepcionou. Quem esperava ver uma interação entre a cerimônia americana com a cerimônia paulista, também se decepcionou. Nada disso aconteceu. Aconteceu foi a transmissão de um evento brasileiro mal preparado e totalmente desorganizado, com algumas imagens da premiação oficial. E quando digo algumas, quero dizer bem poucas: uma apresentação musical ou outra e transmissão apenas das categorias em que brasileiros concorriam, como Diogo Nogueira e Roberta Sá, que não levaram nada.

Foi uma vergonha do início ao fim. Daniella Cicarelli e Marcelo Tas não deram conta do recado e não seguraram a apresentação do evento. Ela estava robótica, nitidamente ouvindo o texto no ponto eletrônico. Ele não terminava uma frase sem errar as mensagens ou gaguejar. Sem contar que foram colocados em situações constrangedoras diversas vezes, onde realmente não havia nada a ser feito por parte deles a não ser sentar e chorar. Cicarelli ficou tensa e riu.

Os apresentadores das categorias também tiveram problemas. Logo no início, anunciou-se Beth Carvalho como vencedora no microfone e no telão aparecia Paulinho da Viola como vencedor. Causou confusão. Houve também abertura de envelope errado, revelando vencedor da categoria seguinte, entre outros climões. Os vencedores não subiam ao palco, não recebiam troféu e muito menos faziam discurso. O que acontecia era a apresentação de uma minibiografia deles por parte do apresentador da categoria, lendo o telepronto.

Chitãozinho e Xororó cantaram música própria e levantaram a platéia do Grammy Latino do Ibirapuera, em São Paulo

Chitãozinho e Xororó cantaram música própria e levantaram a platéia do Grammy Latino do Ibirapuera, em São Paulo

As apresentações musicais do Texas não vimos – só Juanes e Julieta Venegas. As do Brasil foram bem peculiares. Teve Sepultura cantando Garota de Ipanema e Sandy – com Paula Toller, embora não se notasse – cantando E o Mundo Não se Acabou, de Carmem Miranda. Pitty cantou e foi uma das primeira vezes que a vi sem desafinar. Marina de la Riva, mulher do diretor de eventos da Band, também garantiu seu espaço e cantou na festa. Chitãozinho e Xororó cantaram música própria, Brincar de Ser Feliz, e foi o único momento em que a platéia se envolveu e cantou em alto e bom som.

Enfim, é o que um amigo meu me disse: se não tem capacidade de fazer o Grammy Latino, faça o Prêmio Band de Música. Já seria vergonhoso o suficiente.

2 comentários

  1. A pior coisa que ja vi!!


  2. Sem falar do festival de gafes e mancadas, o próprio Grammy Latino feito no Brasil foi um fiasco começando pela vinheta de abertura que fizeram pra esse ano. Acho uma falta de respeito e conhecimento em relação a América Latina, a forma que retrataram nossa cultura.

    Não somos aquela forma estereotipada, baseada na visão que os norte-americanos e europeus tem de
    nós. Não somos uma terra de florestas, cheia de macacos pulando de galho em galho e outros animais
    selvagens, como deu a entender na vinheta. Podemos ainda não termos chegado no nível de indstrialização e desenvolvimento que as grandes potências estão, mas não somos mais um continente povoado unicamente por índios, com uma economia baseada na produção de bananas!

    Os próprios organizadores do Grammy ao invés de organizar a festa baseando-se na realidade atual, como um continente com múltiplas culturas e já em avançado grau de desenvolvimento, insistem com aquela velha roupagem “caliente” e de “sangue quente” que nunca sequer existiu na maioria dos
    paises latinos.

    O próprio Brasil, por exemplo, é um pais que situa-se na América Latina, mas que não pode considerar-se latino! Não que não sejamos todos “irmãos”, mas nossa língua não é o espanhol e nosso jeito de ser e expressar-se é um pouco mais “sofisticado” do que aquele que pensam de nós. Até mesmo no nordeste brasileiro, região mais atrasada do país, as pessoas têm uma forma de vestir-se e portar-se bastante peculiar, totalmente diferente do resto do Brasil, mas que nem mesmo assim se parece com a forma estereotipada do latino.

    Acho que seria muito interessante para o Brasil, país que lidera a América Latina, começar a mostrar
    para o mundo nossa verdadeira identidade. E é bom que se diga também de passagem, já que esse não é o foco no momento: O SAMBA É APENAS MAIS UM DOS VÁRIOS RITMOS BRASILEIROS, NÃO É E NUNCA FOI O PRINCIPAL. Qualquer outro ritmo faz mais sucesso que ele aqui no Brasil. Aliás, o verdadeiro Samba brasileiro nem existe mais.



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